quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Goodbye my blue sky, goodbye.


Did you see the frightened ones?
Did you hear the falling bombs?

Did you ever wonder
why we had to run for shelter
when the promise of a brave new world

unfurled beneath a clear blue sky?


Did you see the frightened ones?

Did you hear the falling bombs?

The flames are all long gone

but the pain lingers on


Goodbye blue sky

Goodbye.

Pink Floyd.

Assim como tudo nesta vidinha de loucos, a peça um dia também chega ao fim. A minha já não conseguia mais se estender. Fui invadido por uma imensidão de novidades. Fui arrastado de minha própria concha solitária, e carregado por inúmeros motivos e fatos a novas realidades, novas cores. Tolices ao vento nunca conseguiu se enganar por completo, ele nasceu com um propósito único, viveu por ele, e agora morre com ele. Não dá pra fugir eternamente do que você é, e ele não conseguiu. Cumpriu o seu papel com destreza de um maestro, realizou e concretizou fatos com louvável flexibilidade e fé. Fez-se um blog, que do blog, um algo mais. E hoje percebo, sua hora chegou, seu compromisso com a existência já não tem brilho, e sua vontade de mudar já não vence sua verdadeira hora de ir. Bom, a todos que fizeram parte dele, se apegaram a ele, ou simplesmente observaram de fora com olhos intrincados de outrora, devo anunciar a hora de partida. Inicio o final com uma música lindíssima da banda Pink Floyd, e finalizo esta linda e trágica peça da vida com a mesma música que a iniciou, sua trilha tema, deixando meu humilde obrigado a tudo que fez do blog Tolices ao vento parte única da minha vida.
É, chegou a hora...



Adeus.
Aplausos.
Fim.




( http://www.youtube.com/watch?v=McnTmRqNzBs )

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ensaio sobre a Cegueira

"Há que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte"

"Dar tempo ao tempo,
o tempo é que manda
o tempo é o parceiro que está
a jogar do outro lado da mesa,
e tem nas mãos todas as cartas do baralho,
a nós compete-nos inventar os encartes com a vida..."

"Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem"


“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.”

homenagem a José Saramago pela grande obra, estou fascinado com tal genialidade e profundidade das frases e da concepção do que é realmente importante na vida, de como somos imundos e materialistas, dependentes da falsa visão da vida.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

depoimento de orkut pra posteridade.

O GORDO E O MAGRO
Por Victor Queiroz

Era um gordo com pinta de pilantra, cara de mau, mal humorado, parecendo que plantava o caos (ainda não é o momento pra falar disso) e um magro na dele, calminho, com cara de quem nunca tinha aprontado uma...
E então...
"Ei cara, sabe qual a próxima aula?"
Já era! Um destino pesado se formou ali!
Se fosse tempos na frente, a pergunta seria outra. E a forma de perguntar tbm!
[...]
O tempo passou e o magro viu que a imagem criada do gordinho não era bem aquela. Na verdade ele não era nenhum pilantra, tão pouco um cara de botar o terror... Ainda não! E o gordo viu que o magro calminho na dele, na verdade não era tão na dele e que tbm já tinha aprontado algumas e tinha algumas histórias pra contar... Histórias até então sem participação do gordo.
O tempo foi passando até que um dia:
“-Ei gordo, vamo nessa pro Clube?”
“-Vamo nessa!”
Pela primeira vez o caos do gordo e o magro juntos! E ali a chamada “esculhambação” deu as boas vindas para o gordo!
O gordo cada vez mais foi se apaixonando pela vida hj denominada de “Play Hard!” e ai sim, começou a plantar o caos!
O tempo continuou passando, muitas coisas aconteceram e aquela amizade só aumentava... Foram fazendo história, muitas vezes uma garrafa na mão ou embaixo do braço fazia parte dessa história (mas isso é só detalhe). E claro, com eles sempre aquele semblante de quem estavam prendendo uma boa gargalhada!
Tudo era motivo pra uma curtição, uma piada, uma ‘tiração’ de onda. Óbvio que momentos mais delicados apareceram, épocas mais sérias, fases difíceis... Assim como todo mundo, nem sempre tudo era perfeito. Mas sempre souberam lidar com todo o tipo de situação. Ter a certeza de que momentos complicados passariam (e passavam) e que sempre coisas boas apareceriam em seguida era quase que automático na cabeça daqueles dois meninos.
E assim as coisas foram acontecendo e foi se formando neles uma imagem característica de bom-humor, de felicidade, de saber viver, saber curtir e sentir a vida e se apegar cada vez mais a ela.
E as boas gargalhadas (algumas vezes até sem motivos), as diversões, “comédias”, curtições se mostraram cada vez mais presentes.

Hoje, assim como sempre foi e sempre será, não podem saber o futuro (afinal de contas, o inesperado sempre foi o mais divertido de tudo), mas olhar pra trás eles podem e, fazendo isso, podem ver o passado como um filme na cabeça deles. Um filme com o melhor elenco de todos, melhores diretores, protagonistas, figurantes...
Simplesmente os melhores de todos... Pois TODOS os que participam desse filme são verdadeiros AMIGOS!

Abração, irmãozim!

Play Hard!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Miúcha e os Cariocas - Show único da verdadeira Bossa Nova

Ambiente antigo, um tom de boemia atrasada me preenche a mente, mas logo percebo que não é meu este tempo que já foi tão bom. Centro da cidade, Teatro José de Alencar. Duas cortesias me surgem sem motivos, e sem motivos estava lá na bela e já cansada entrada deste último suspiro de bossa nova que poderia presenciar ao vivo. Algumas madames corriam dos cambistas, enquanto casais de velhinhos apenas mantinham a pose e o andar cuidadoso. Pipoqueiros faziam a abertura, e dentro apenas um teatro velho onde não me encontrei, sentei nas cadeiras antigas e me senti perdido em outro tempo que não foi meu. Ah, Bossa Nova ao vivo, seria mesmo possível?

As luzes se apagam, percebo um piano, logo o baixo forte e delicado, o violão sambado e a bateria sutil: a banda começou. Aquele cenário alvo e negro com lustres coloridos e detalhes listrados me lembraram um pouco o Rio. Era apenas um detalhe que já não me importava, a projeção me colocou em lembranças maiores, fui voando na saudade e me encontrei novamente com o calçadão de Copacabana, as ruas do Leblon, e a brisa da bossa nova desse meu Rio. Então vou e volto, me encontro ali na platéia ou no pensamento profundo. A voz suave toma conta do teatro e aplausos preenchem todo o resto, é ela que sobe ao palco de forma única, viva, quase posso enxergar Vinícius e Jobim ao lado, e a voz realmente é dela, é de Miúcha.

O show segue, sua graça é demais, nos intervalos dos aplausos e do piano uma história era contada, sobre Jobim, sobre Baden, sobre seu irmão Chico, sobre o grande amigo boêmio e poeta Vinicius de Moraes - Saravá - que lhe foi tão presente nos bares da lapa e na noite de Copacabana. Que coisa linda ouvir dela, ouvir de alguém que realmente estava lá, abraçou e beijou eles, os criadores da Bossa Nova pura, e dela ouvimos, rimos, nos emocionamos e principalmente cantamos junto.

Mas devo dizer que aquele sorriso simpático, de música em música, me lançava adagas afiadas em meu peito, me cortando letra a letra, tom a tom, nota a nota. Sangrei por dentro, não minto, parte de mim chorou ao ouvir tanta música linda junta, tanta dor, tanta cor, tanto amor. E assim fui, sangrando durante o show, me emocionando, e absorvendo tudo que podia, agarrado no momento para nunca mais esquecer, para tentar esquecer de tudo, para tentar voltar por um minuto pra esse tempo que nunca foi meu. Ah, Bossa Nova.

E além de tudo, tive o grande prazer de apreciar Os Cariocas e seus vocais anos 50. Foi tudo um grande espetáculo pequeno e profundo, que desejava nunca acabar. Gente Humilde, Eu te amo, Águas de Março, Wave, Berimbau, Ela é Carioca, Pela luz dos Olhos Teus, Vai Levando, Samba do Avião, Desafinado, Minha Namorada, facadas e apunhaladas no peito, sangrei e cantei, uma a uma, e então o Bis final, o inesperado Bis que me pegou pelas costas já indo embora, me jogou na cadeira novamente, e me deixou sem opção: cantei cada palavra com a mão no coração pra não deixar cair..

Vai minha tristeza, e diz a ela que sem ela não pode ser, diz-lhe, numa prece Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer. Chega, de saudade a realidade, É que sem ela não há paz, não há beleza É só tristeza e a melancolia Que não sai de mim, não sai de mim, não sai Mas se ela voltar, se ela voltar, Que coisa linda, que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos que eu darei Na sua boca, dentro dos meus braços Os abraços hão de ser milhões de abraços Apertado assim, colado assim, calado assim Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim. Não quero mais esse negócio de você longe de mim...

Aplausos de pé!


Show maravilhoso, incrível, espetacular, emocionante, forte, suave, lindo, delicado, apaixonante e principalmente: Legítimo.

"Que isto é Bossa Nova, isto é muito natural O que você não sabe nem sequer pressente É que os desafinados também têm um coração"



* Miúcha foi casada com João Gilberto, é irmã de Chico Buarque, e amiga de Tom Jobim, Baden Powell, Toquinho e principalmente do grande Vinicius de Moraes, vivendo intensamente na Bossa Nova.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

tu é muito filme jorge

Jorge. diz: eu to tão afim de viajar pra Londres, Paris, Budapeste, sabe? qualquer lugar fora daqui. onde seja frio, melancólico e tenha café e cigarros. e mesmo assim eu me sinta bem, sozinho, e conheça novas pessoas.

Ela diz: tu é muito filme jorge..

Jorge. diz: eu sou
Jorge. diz: eu sempre tive isso, e já ouvi de várias pessoas. minha vida é sempre cena de filme, poesia, drama. eu gosto disso.
Jorge. diz: eu gosto de ver a vida assim. todo canto parece um filme com trilha sonora (quando de fone).
Jorge. diz: eu indo pra faculdade andando nas ruas, à noite, sozinho, passando o cruzamento fumando, ainda do uma parada assim pra posteridade, solto a fumaça, faço um olhar de revolucionário perdido, e sigo em frente.
Jorge. diz: eu gosto, me conforta.
Jorge. diz: consegue entender?

Ela diz: consigo.

Jorge. diz: E você.. Como enxerga a vida? O dia? Assim no geral?

Ela diz: sei lá, acho que sou mais simples que você. eu deixo muito as coisas acontecerem eu entendo essa tua visão cinematográfica das coisas mas é poesia demais pra 24hrs.. to numa fase bem let it be

Jorge. diz: E porque eu não seria simples? E você acha que eu não deixo as coisas acontecerem? E quem disse que é poesia 24h? Isso só me ocorre em momentos certos, são momentos tipo voltando pra casa sozinho, indo pra faculdade andando (da parada até lá) sozinho. Antes de dormir, na estrada, ouvindo música. Momento assim que tenho essa visão poesia. quase sempre sozinho.
Jorge. diz: mas aprecio sua vida let it be, mas acho que às vezes é bom pegar o rumo e se apaixonar pelo horizonte distante. às vezes é bom ter uma direção, nem que seja inventada.
Jorge. diz: eu ando sempre em busca. mas nunca sei o que é. e mudo de percursos sempre que quero. Mudo de rota.
Jorge. diz: não me acho complicado.
Jorge. diz: só me acho poético. e a poesia é simples. é só o fato de olhar a beleza nas pequenas coisas. adoro simplicidade e minimalismo, não procuro complicar, mas diferente disso, procuro intensificar. complicar é dificultar, eu odeio isso.

Ela diz: eu te acho simples.

Jorge. diz: eu sou simples pelo seguinte fato: quero faço. penso falo. sinto faço.
Jorge. diz: mas torno as coisas maiores - sim - do que elas são. sempre me falaram isso. eu leio entrelinhas que não existem. eu aprofundo demais uma coisa superficial. mas isso eu chamo de intensidade. de valor. de sentido. e não de complexidade.
Jorge. diz: e gosto. não gosto de pessoas vazias. pessoas desinteressantes. sem conteúdo. superficiais demais.
Jorge. diz: odeio.
Jorge. diz: eu gosto é de me afundar. pessoas que me molhem. me levem pra um mundo novo. conteúdo, idéias, imaginação, pensamentos, brigas, gostos, abraços, músicas novas, e novos paladares de relação. disso que eu gosto!
Jorge. diz: se eu pudesse viveria de viagens.
Jorge. diz: conhecer o mundo inteiro. todas as línguas, dialetos, culturas, imagens, cenários, festas, locais, dores, sentidos, perguntas, e tudo mais desse mundo.
Jorge. diz: mas não posso, então me permito usar ao máximo o que me cerca.
Jorge. diz: seja pensar no ônibus lotado. seja rodar a noite inteira sem rumo. seja sentar numa calçada qualquer e reparar as pessoas, seja um bom papo sem compromisso em um bar qualquer de sempre.

Jorge. diz: sabe?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Nossa Causa Maior (Arquivo antigo)

Viver sempre foi bem interessante. O simples fato de estarmos vivos não nos diz muito sempre, mas sempre haverá algum momento que saberemos realmente o porque de estarmos vivos. Engraçado acharmos que a vida é apenas estarmos vivos. Seria até desleal com os deuses pensar que ‘estamos vivos e isto é tudo’ - ah, infinita highway. E digo isto não por opinião própria ou vaidade de achar que sei o que é viver (longe disso), mas digo baseado em tudo que nos rodeia. Não é difícil notar, apenas dê uma leve olhada ao mundo que vos rodeia e verá o novo, pronto para se viver.


Na correria diária (capitalista acomodada), vivemos por impulso, seguimos o cardume, nos perdemos no escuro do oceano. Esquecemos quem realmente somos, o que gostamos de fazer, esquecemos até do próximo ao lado no mesmo elevador de sempre. Bom dias e olás são distribuídos de forma gratuita e sem cor por todos que lhe enfrentam no dia-a-dia feroz da carga horária de cada um. Pensamentos em volta de cafeína e papeis amontoados grudam em nossas costas, acumulam uma imensidão de problemas e pesos fictícios modelando como vai ser nossa personalidade de cidadão, nossa vida, nossa rotina.

Sorrirmos para nosso chefe, para nossos colegas e até para desconhecidos, mas esquecemos de sorrir para nós mesmos todos os dias ao escovar os dentes. Esquecemos de nos dar bom dias e boas tardes acompanhando apertos de mão e abracinhos cautelosos. Abrimos mão de nos amarmos para sermos soldados de uma causa maior; o trabalho. E perdemos nossa criança, nosso adolescente, e nossos sonhos por facadas de rotina. Será mesmo que estou errado ou todos se perderam na imensidão do oceano?

Jorge Nunes Quental,
Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A cicatriz.















Uma queda, tropeço inusitado, voa e leva a cara ao cimento da calçada. Adrenalina, susto, medo da rapidez que a coisa aconteceu. Levanta-se num pulo, procura em todas as direções o que não sabe bem o que procurar. Respira, pensa coisas sem sentido e tenta lembrar o que houve.
- beijei o chão, e ninguém percebeu. Pensou calado.

Limpa o rosto, senta na graminha e recolhe o brinquedo quebrado (as peças faltam). A gota viscosa escorrega do joelho lentamente, sem perceber anda em busca da mãe. Então o choro, seu joelho rasgado arde com o vento. E assim corre mais, tenta fugir da dor. Abraça com força, grita, esperneia, se joga ao chão novamente e morde o pouco do vestido estampado que consegue alcançar da mãe. Ela tenta recolher o desespero e joga-lo longe da criança, da beijinho na testa, passa água no joelho, cuida como só uma mãe consegue cuidar do filho que foi a rua e se danou demais. A mãe tentando disfarçar a dor se joga na grama verde do jardim, faz coscas no filhote e puxa uma brincadeira de manhas e carinhos. A criatura escandalosa já começa a se acalmar, e o choro então abre espaço para os pequenos soluços ritmados e o dedo na boca.
- tá doendo mamãe. Faz parar, faz.

Na calçada suja, o menino sorridente que corria sem medo, que ganhava o mundo sem limites, correndo, buscando, curioso como quem nunca sentiu dor na vida, fica ali. O tropeço que o momento da queda causou agora faz parte de sua vida. Talvez um dia lembre disso, talvez não. As marcas ficarão lá para lembra-lo de olhar sempre onde pisa, ter cuidado com sua mania em correr demais por ai, e de sua liberdade esboçada em sentimentos de aventura e sonhos. As marcas ficarão lá para lembrar que foi vivo demais, que corria como o vento, que não lembrava da hora de dormir, e por alguns instantes não valia a pena pensar no pior, e sim na beleza da vida. Cicatrizes farão parte em um corpo crescido, serão esquecidas, perdidas no meio de tantas outras adquiridas. Escondidas em meio a ternos, livros, abuso e dinheiro. Sujeira da velhice na pele que esconde aquele moleque. Apenas marcas de algo que doeu e já nem se lembra mais de como doía infinitamente, dor de dor nova.

Hoje, talvez nem se lembre mais do beijo da mãe na testa e a voz suave tranqüila dizendo:
- vai passar meu amor, vai passar.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Bala no bolso











É engraçado como o blog faz jus ao nome.

Foram tolices ao vento, palavras em vão.
E hoje, estou dando um adeus com toneladas de certeza.
Tenho um compromisso maior que essa causa perdida.
Estou nessa relação confusa a 22 anos comigo mesmo,
sem tempo pra tempestades de areia e decepções multiplicadas.

Não quero mais um trago, não desse cigarro que me rasga, a cada suspiro me leva ao chão.
Chega de abraçar navalhas sabor morango, sorrisos prontos de apertar botão.
Quero um amor tranqüilo, cansei desse meu amor inventado.
Quero kandinsky e modigliani em tardes de domingo.
Ponto de ônibus ouvindo led zeppelin, caçando o horizonte desfoque.
Atravessar a rua por um cigarro, sorrir no fim do dia.
Trabalhar com cheiro de noite passada. Correr pela vida e ser tachado de louco.
Porque é louco que quero ser, se não, volto a normalidade, e dela não sou amigo.

Tenho aquela certeza de missão cumprida que me aqueta.
Volta e meia me da um abraço amigo, quente.
E a etiqueta que colo em mim de poeta único
Hoje guardo no bolso com carinho, pra ninguém ver.
Bala guardada pra depois, pra quem merece.
Hoje não pertenço mais ao vício, e sim a vida.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

The Bluest Blues.


I couldn't wait to see you - waiting by the door
There's no one there to meet me - and your clothes are on the floor
Sorry if I hurt you - and I made you cry
Couldn't stand to see you - with another guy
It's the bluest blues - and it cuts me like a knife
It's the bluest blues - since you walked out of my life

Couldn't really tell you - how you hurt my pride
Something broke within me - down inside
I never knew I loved you - til you went away
Now the loneliness surrounds me - everyday
It's the bluest blues - since you walked out of the door
It's the bluest blues - cause I won't see you no more

I'm sorry if I failed you - if somehow I'm to blame
It's the bluest blues I'm feeling - it's a cryin' shame
I just can't live without you - face another day
It's the bluest blues I'm feeling, and it's here to stay
It's the bluest blues, and it cuts me to the bone
It's the bluest blues, when you can't find your way home


Ten Years After.

saudades do meu balão amarelo que voou e foi embora.

"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.
E só o amor faz o bobo."

"Não sei separar os fatos de mim,
e daí a dificuldade de qualquer precisão,
quando penso no passado."

"Mas nem sempre é necessário tornar-se forte.
Temos que respeitar nossas fraquezas.
Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza
legítima à qual temos direito.
Elas correm devagar e quando passam pelos
lábios sente-se aquele gosto pouco salgado,
produto de nossa dor mais profunda."

"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada.
A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo.
E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam.
Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."

"Sou como você me vê
Posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando, e como vc me vê passar"



Textos: Clarice Lispector.

"It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end"

the doors - the end.
(tentando não negar a sua simples realidade).

segunda-feira, 7 de julho de 2008

fechado por tempo indeterminado
para reposicionamento de marca.

the end.

sábado, 28 de junho de 2008

momento violão/dor/saudade/solidão/cigarro/amigos/churrasco/cerveja/violão/pensamento/amor/saudade/dor/lembrança/fim













Água de beber

Composição: Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim



Eu quis amar mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração

Água de beber
Água de beber, camará
Água de beber
Água de beber, camará

Eu nunca fiz coisa tão certa
Entrei pra escola do perdão
A minha casa vive aberta
Abri todas as portas do coração

Água de beber
Água de beber, camará
Água de beber
Água de beber, camará

Eu sempre tive uma certeza
Que só me deu desilusão
É que o amor é uma tristeza
Muita mágoa demais para um coração

Água de beber
Água de beber, camará
Água de beber
Água de beber, camará

sexta-feira, 27 de junho de 2008

atrasado.












Todos os dias acordo atrasado, engulo o choro e visto a armadura pra enfrentar o dia. É difícil como o tempo luta contra você, como é difícil ser malandro nessas horas e conseguir o que quer. E o mesmo tempo te corta em mil pedacinhos, e cada pedaço é uma dor diferente. Tem a dor da saudade, tem a dor da raiva, tem a dor da rejeição, tem a dor da solidão, tem a dor do orgulho, tem a dor do choro, tem a dor do perdão, e diversas outras que me completam e me descompletam a cada dia. Minha armadura não é das melhores, talvez não encaixei ela bem, fica caindo.. Vai ver, nem quero. Fico me enganando, lutando comigo mesmo, pois, uma parte de mim diz pra ficar e tentar até o último fio de esperança que corre em meu corpo, e outra parte de mim diz pra esquecer a todo custo e viver minha vida sem me gastar mais com ela. Ela. Ela me completa, e sem ela eu sou um anormal. Não consigo viver em paz, não consigo sair, não consigo trabalhar, não consigo nem mais ouvir minhas músicas favoritas. Falta-me algo. Falta-me crer que acabou, ou, falta-me a solidão companheira, e não esse vazio que ela faz.

Parece até que a esperança e a saudade se uniram para me surtar aos poucos, como quem sangra todo dia cortes rápidos e profundos, apunhaladas da consciência, uma abstinência daquele meu vício chamado amor. Me entreguei, ela sabe. Amei, ela sabe. Não quero ir embora, ela sabe. Ela sabe e o que me dói mais é porque ela sabe. Ela sabe e não faz nada além de chorar parada. Chora e diz adeus, diz que me ama mas não me quer mais, me mostra a felicidade a dois e prefere ficar só, me desperdiçando assim pelas noites como um boêmio perdido. Nem o álcool ao abuso, nem o cigarro ao excesso, nada me trouxe ela de volta, nem trará, e ela sabe disso. Ela sabe e prefere ficar só, lendo livros, saindo por ai, procurando nada, e sendo procurada por outros. Ela acha bonito esse final trágico, talvez eu também ache, mas não queria sentir tanto. Dias de fúria, dias de insanidade, e eu grito sufocado:

- Saia da minha mente!!! Saia agora!!!

e ela volta, volta e volta mais, tudo em forma de lembranças. Passear de ônibus pelo Leblon, brigar no Cristo, ouvir chico pelo calçadão. Comer ruffles com água mineral, comprar blusas alternativas, dançar like a bitch em boates caras, e depois dormir juntinhos. Ela volta sempre assim, como fotos vivas em movimento na minha cabeça. E eu não agüento mais o carimbo estampado em tudo: acabou. acabou.

Juro que tento. Todo dia é uma luta, as vezes mais fraca, as vezes mais forte. E assim vou vivendo, sem vida, sem cor. Eu não quero aceitar, sabe? Alguém sabe? Bom, acho que não... Todos me dizem: normal, vai passar, o tempo cura tudo. Tempo? Ele é o pior. Cruel. Afoga e assassina tudo que eu senti e criei. Lutei tanto para um amor estável, uma relação boa, uma companheira, uma amiga, uma pequena. E agora é com o Tempo que devo me ajoelhar? É para o tempo que devo me curvar e implorar sanidade? Implorar o remédio do esquecimento do amor não correspondido? Não.. Prefiro ser diferente. Acordo todos os dias atrasado porque não quero acordar. Sonho, e no sonho me encontro com ela. Converso, abraço, beijo, e tudo posso. Conto meu dia, conto minhas aflições, ela me abraça, passa a mão em meu rosto e me cura de tudo com seu sorriso lindo e suas palavras que confortam 'vai dar tudo certo'. E lá ela ainda é morena, lá ela ainda é a minha fofinha. E rodamos e rodamos pela noite, bebemos, fumamos, fazemos tudo como antes.. E todos os dias é clímax, e tudo é como deve ser, sem medo, sem cansaço, sem frustração, sem decisão egoísta, sem erro. E nos sonhos vou vivendo o meu amor.. Até o dia que eu canse, e até o dia que ele esgote, onde já estaremos vividos, e que a Espanha já não seja mais um objetivo perdido, onde eu já tenha vivenciado nosso amor por completo, noite após noite de sonho. E assim, nunca mais me atrasarei pra viver. Acordarei no horário, pois não precisarei mais me esconder em sonho. Voltarei a me erguer e ser apenas eu. Um tolo qualquer buscando um romance intenso para aquela que souber fazer sem desistir.

terça-feira, 24 de junho de 2008

sem ela.










nem a dor da solidão
nem a dor da saudade
nem a dor da falta
nem a dor da distância
é pior que a dor de sofrer sozinho.
queria comentar meu dia, lanchar por ai,
fumar um cigarro, armar uma surpresa,
dormir pensando, conversar sem parar,
ficar calado ouvindo, beijar por beijar,
brigar pra poder ir atrás, abraçar.
queria.. mas ela não quer mais,
e é isso que me dói mais
saber que sem ela
eu não vivo em paz
e que ela sem mim
já nem percebe mais.

domingo, 15 de junho de 2008

The End

The Doors

Composição: Jim Morrison

This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land ?

Lost in a Roman...wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah
There's danger on the edge of town
Ride the King's highway, baby
Weird scenes inside the gold mine
Ride the highway west, baby
Ride the snake, ride the snake
To the lake, the ancient lake, baby
The snake is long, seven miles
Ride the snake...he's old, and his skin is cold
The west is the best
The west is the best
Get here, and we'll do the rest
The blue bus is callin' us
The blue bus is callin' us
Driver, where you taken' us ?

The killer awoke before dawn, he put his boots on
He took a face from the ancient gallery
And he walked on down the hall
He went into the room where his sister lived, and...then he
Paid a visit to his brother, and then he
He walked on down the hall, and
And he came to a door...and he looked inside
"Father ?", "yes son", "I want to kill you"
"Mother...I want to...fuck you"

C'mon baby, take a chance with us
And meet me at the back of the blue bus
Doin' a blue rock, On a blue bus
Doin' a blue rock, C'mon, yeah
Kill, kill, kill, kill, kill, kill

This is the end, Beautiful friend
This is the end, My only friend, the end
It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end

terça-feira, 29 de abril de 2008

Textos

Um texto corrido tem erros.
Erros de português, francês, inglês...
Depende da escrita
mandarim ou caligrafia nórdica
escultura antiga, cafuza, histórica.

Um texto pensado não tem sentido.
Sem sentido, vira surrealismo.
Surrealismo é vago, perdido, torto.
E assim vai o texto, fora de ordem.
Perde o foco e cai em vazio.
Vazio do nada, vazio de muitas palavras sem dor.

Um texto corrigido é moldado
forçado, até espancado.
Sangra o que não pode, perde cor e peso.
Os defeitos arrancados, como uma apendicite que incomoda
e cirurgicamente é retirada na lâmina do corretor.
Corta, fere, joga fora o tumor.

Um texto livre é assim como tal.
Sem rima fixa, sem coordenação.
Um texto míope de seu próprio leitor.
Louco, vagabundo, correndo pela página branca
Escupido em tosses e coçadas nos olhos.
É lágrima corrida, é tumor pesado.
Um devaneio jogado ao vento.
Sem resposta, sem se quer paciência.

não passa de um texto qualquer.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Faquir amargo.


Começa cambaleando pela rua, segue reto sem medo. Dobra a primeira esquina e cego leva os braços a cara suada de mais um dia de trabalho pálido. Sua mente, em caos, nem sente mais o sabor de ver as cores. Olha para trás sem parar o passo, e não vem carros. Sua caminhada torta e confusa no cimento amassado pelo sol de meio-dia é curta porém longa. Em sua mente diversas palavras surgem, brotam e jorram de quem um dia já pode brincar com elas (no silêncio do nada). Agora, sem tempo, corre e tenta organiza-las sem parar, sem parar. Retorna a realidade de poucos em poucos segundos, a necessidade de não tropeçar é total. Não pode mais se dar o luxo de errar como as crianças, nem como os bêbados da cidade. Sua saúde agora é preciosa, e dela não quer mais saber. Ela a deixou, fugiu sem aviso prévio, muito menos trancou a porta ao sair. E assim, com a porta aberta, a casa ficou jogada ao nada, escancarada, dando lugar aos mendigos moribundos e vírus errantes. Seu corpo um templo de nicotina, álcool, e café. Seus dias de trabalho encaixavam uns nos outros já o chamando para a derrota, e seus pulmões não paravam de gritar por ar puro. Coisa rara nessa cidade, a idade não nega.

- três e vinte e cinto, mais alguma coisa senhor? Pergunta a mesma vagabunda de sempre do posto mais próximo. Apanha seu cigarro pesado e sujo de devorar sonhos. Põe mais uma vez (e como sempre há de fazer) na boca, suga-o e deixa entrar.

Agora já é tarde, sempre lhe diz em tom confortante, como uma palmadinha nas costas de um pai envergonhado acalentando o erro do filho devasso. Ajeita a camisa já sem jeito, manchada de café e formulários perdidos. Um pensamento perdido o entorna e faz vomitar choro. Suas costas não são mais tão firmes. E outro cigarro vem ao rosto empurrar a dor de volta a dentro.

Sempre foi sonhador. Pequeno, já pensava em ser herói, e aos quinze achava ser especial. Depois do primeiro dia de trabalho e a cuspida da realidade nos olhos novos de criança, nunca mais enxergou sonhos. O coração que antes sonhava com revoluções, filosofias e teorias de como a vida pode ser imensa e gorda de felicidade, agora é apenas granulado de memória e saudade. Tornou-se um faquir, um louco atrás de jejuar sonhos e nunca mais devora-los como antes, esquecer de toda e qualquer forma fora da realidade prostituta que havia lhe possuído. Um faquir amargo, demente de seus próprios prazeres de fuga. Cria personagens tolos, poesias de guardanapo barato em mesa de bar. A fantasia de bossa nova não passava de mais uma bebedeira casual. Agora é tarde, muito tarde pra sonhar. Não havia mais fé, nem esperança. A realidade bruta o mordia todos os dias, sangrava, e sem sangue ninguém luta. E assim ficava, se permitia sobreviver assim, banhado a nicotina, álcool, café e personagens de fuga.

Jogou fora seu último cigarro e saiu amargo pela calçada qualquer, tropeçando de cara. Como um qualquer morreu, sem chances de se tornar livro, se tornar sonho. E como um qualquer, tornou-se mais um a atrapalhar o trânsito.

terça-feira, 4 de março de 2008

Love.


Love.
Upload feito originalmente por Jorge Nunes

Love is passion, obsession, someone you can't live without. If you don't start with that, what are you going to end up with? Fall head over heels. I say find someone you can love like crazy and who'll love you the same way back. And how do you find him? Forget your head and listen to your heart. I'm not hearing any heart. Run the risk, if you get hurt, you'll come back. Because, the truth is there is no sense living your life without this. To make the journey and not fall deeply in love - well, you haven't lived a life at all. You have to try. Because if you haven't tried, you haven't lived.

[William Parrish] from the movie, Meet Joe Black (1998)

Love; you and me.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Uns dias chovem, outros dias fazem sol

e assim vou levando
como um bobo rindo da própria piada.
feliz, por ser feliz.
sem saber que ela acaba
transforma em eterna.
faça chuva faça sol.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Dor que fere.



O sufoco de mais um dia normal
vai além de um simples pensamento bom.
força de vontade não é nada contra o vírus; a doença.
ou serei fraco demais?

Não aguento mais a dor
nem sinto mais meu velho olhar
vida serena, fluindo como deve ser
não tenho mais o mesmo caminhar bobo pela rua.



Voltar pra casa virou necessidade
nada mais de fugas, e delas mais nada
perdendo o ritmo da música; não escuto mais.
e a dor consome, suga, é ácido em minha pele.

A força de vontade de nada me vale.
Da fé não sinto mais suas asas grandes de serafins e arcanjos alados.
Espero que a dor canse de mim, e vá embora
pois eu, já cansei dela.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

absorção de blog alheio.

a da noite

o problema de fazer planos é que nunca levamos em consideração o

inesperado

http://www.caixapandora.blogger.com.br/



[encaixou perfeitamente hoje]

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Bom dia

Um dia feliz
as vezes é muito fácil.
basta um simples bom dia
de alguém especial.



* sinto que o dia promete.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Tô me guardando.

Pronto.

Já disse tudo que quero.
Já disse tudo que sinto.
Já prometi compreensão.
Já escutei, falei, conversei, ajudei.
Já fiz de tudo (im)possível.

Agora, só me resta me guardar.
Esperar a Ação. e dai, minha Reação.
Até lá, vou me retirar.
Sem internet, sem celular, sem nada.
Apenas um casulo, fechado.
Mantendo a chama acessa.
Keep the beat,
and the bad company.
Deixar o destino trabalhar.
Minha parte eu já fiz.
Agora, espero as palavras tomarem forma,
crescerem, virarem Ação.
Até lá, tô me guardando pra quando o carnaval (final feliz) chegar.

Sem mais,
John Kiev.

[blog fechado]

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Stand by me

Esperando o dia dela estar pronta pra arriscar de novo.
Esperando o dia de estar pronto para perceber que posso ama-la.
Esperando que ela na solidão, não desista, não esqueça, não apague o que construímos tão forte em nosso peito.
Esperando que ela volte.
Esperando que ela entenda:

Amar é querer estar junto em todas as horas, e não só na solidão.

Quando ela entender. Sentir. Souber.
A hora, o destino malandro sambista, vai fazer acontecer.
Até lá. acendo meu cigarro, pra manter a chama acessa.
Esperando minha hora de subir ao palco
e finalizar a peça com o final feliz.

Ser especial.

Um dia ouvi falar
my feelings are more important than yours.
já ouvi falar que devemos nos orgulhar do que somos
nos valorizarmos, sermos maiores e melhores do que todos
tornamos nossa aparência vitrine chamativa, inveja despertar
fazermos da dor algo escondido, fundo
e não mostrarmos ao mundo
nem a amigos, nem ao espelho
que tudo passa, que é superável
que é mentira, o que é verdade


já ouvi falar que de nada adianta amar
que nada adianta pensar no outro
nada adianta tentar
tentar fix you.

Um dia já ouvi falar que as nuvens não eram de algodão
que é inútil ter certeza, ousar, arriscar
que o intenso da medo, que o grande, o inexplicável, o fantástico
é apenas romance de livro barato
e que a vida na verdade é pé no chão, bola pra frente
mas me pergunto se nisso realmente tem graça?
e a cor? e a música, e a poesia?
prefiro ser um sonhador tolo e perdido em fantasias
prefiro ser um dom quixote, e acreditar sempre, que os meus dragões minha luta
não eram apenas moinhos de vento. não foram em vão.

Um dia já ouvi falar que was just that the time was wrong
que o agora foi errado
que tudo não passou de empolgação
de paixão, de riscos e jogos.
mas não penso assim, não quero pensar assim.
deixa falar. deixa ser como será.
noites em claro, mensagens intensas, beijos eternos,
olhares que se encontravam e se perdiam pelo tempo
futuro longe, imaginado, feliz.
prefiro assim, do que pensar que foi farsa, que foi insólito.

Um dia já me tiveram a coragem de falar
esqueça tudo. siga em frente.
não pare, não estenda a mão.
não ligue, não corra, não vá atrás de trazer.
não tente entender, não pense em sonhar, nunca!
desista, engula seco, não bota pra fora a dor.
Mas quem sou eu para negar ajudar alguém?
Mas quem sou eu para ser forte o bastante para me enganar?
Mas quem sou eu para dizer, julgar, negar a dor do outro?
E quem é você, quem são vocês, para algo me dizer?
Para me ditar trilhas e estradas? E dizer que não foi amor, foi enganação.
Sim, um dia já me tiveram a audácia de me falar tudo isso.
mas prefiro assim, sabendo que o coração não mente, entende, e sente.
e ele me diz: foi real. foi sonho concreto, foi paixão, e no meio de tudo você.
daí, o tímido amor nasceu.
Prefiro acreditar que consigo change your mind
e que você, e só você, read my mind.
Prefiro saber que i know exactly what you're thinking
e que você, won't say it now
mas você sabe, in your heart it's love.

Ah, e um dia já me peguei ouvindo
que o amor é um losing game.
que o final sempre é assim
mas nisso tenho certeza que não é assim
a vida é muito, é bastante
é tempo demais para errar, aprender
errar de novo, reviver, acreditar
lutar, cair, sofrer, sentir, amar.
Sei que sou sonhador
sei que não sou perfeito, nem sábio
sou tolo, e poeta.
Sinto, sinto demais
Sofro, sofro demais
porque comigo é sempre intenso
porque comigo é sempre demais.
Sempre é um amei, amei demais
sempre é uma música, linda.
Mas o amor não é e nem nunca foi um jogo
então não existe perdedor ou ganhador
o amor é sempre aprendizagem
o amor é sempre companheirismo
e sempre uma lição de vida.

Um dia já me falaram
que a solidão é necessária
que a dor dói, mas passa
que o amor é eterno quanto dure
que o destino é malandro
que a vida tem dessas
que não se deve esperar por alguém
que não se deve arriscar por medo
que não se deve lutar, sem forças.

e hoje, tenho a coragem e a certeza de dizer:

Eu amo, eu acredito, eu sonho, eu erro, eu sinto, eu sofro, eu choro,
e principalmente, eu vivo. E nunca desisto do que meu coração me grita.
Sempre fui errado, sempre fui intenso demais. Já sofri por isso, já perdi por isso.
Mas nunca arrependido fui, nunca passei um dia sem graça, nunca perdi a doce ingenuidade da vida: brincar de ser especial.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Saudade.

SAMBA TRISTE
(Billy Blanco/Baden Powell)

Samba Triste
A gente faz assim,
eu aqui, você longe de mim,
alguém se vai saudade vem e fica perto,
saudade resto de amor,
de amor que não deu certo.


Samba Triste,
que antes eu não fiz,
só porque eu sempre fui feliz, feliz,
agora eu sei que toda vez que o amor existe,
há sempre um samba triste, meu bem,
samba que vem de você, amor.