terça-feira, 2 de setembro de 2008

tu é muito filme jorge

Jorge. diz: eu to tão afim de viajar pra Londres, Paris, Budapeste, sabe? qualquer lugar fora daqui. onde seja frio, melancólico e tenha café e cigarros. e mesmo assim eu me sinta bem, sozinho, e conheça novas pessoas.

Ela diz: tu é muito filme jorge..

Jorge. diz: eu sou
Jorge. diz: eu sempre tive isso, e já ouvi de várias pessoas. minha vida é sempre cena de filme, poesia, drama. eu gosto disso.
Jorge. diz: eu gosto de ver a vida assim. todo canto parece um filme com trilha sonora (quando de fone).
Jorge. diz: eu indo pra faculdade andando nas ruas, à noite, sozinho, passando o cruzamento fumando, ainda do uma parada assim pra posteridade, solto a fumaça, faço um olhar de revolucionário perdido, e sigo em frente.
Jorge. diz: eu gosto, me conforta.
Jorge. diz: consegue entender?

Ela diz: consigo.

Jorge. diz: E você.. Como enxerga a vida? O dia? Assim no geral?

Ela diz: sei lá, acho que sou mais simples que você. eu deixo muito as coisas acontecerem eu entendo essa tua visão cinematográfica das coisas mas é poesia demais pra 24hrs.. to numa fase bem let it be

Jorge. diz: E porque eu não seria simples? E você acha que eu não deixo as coisas acontecerem? E quem disse que é poesia 24h? Isso só me ocorre em momentos certos, são momentos tipo voltando pra casa sozinho, indo pra faculdade andando (da parada até lá) sozinho. Antes de dormir, na estrada, ouvindo música. Momento assim que tenho essa visão poesia. quase sempre sozinho.
Jorge. diz: mas aprecio sua vida let it be, mas acho que às vezes é bom pegar o rumo e se apaixonar pelo horizonte distante. às vezes é bom ter uma direção, nem que seja inventada.
Jorge. diz: eu ando sempre em busca. mas nunca sei o que é. e mudo de percursos sempre que quero. Mudo de rota.
Jorge. diz: não me acho complicado.
Jorge. diz: só me acho poético. e a poesia é simples. é só o fato de olhar a beleza nas pequenas coisas. adoro simplicidade e minimalismo, não procuro complicar, mas diferente disso, procuro intensificar. complicar é dificultar, eu odeio isso.

Ela diz: eu te acho simples.

Jorge. diz: eu sou simples pelo seguinte fato: quero faço. penso falo. sinto faço.
Jorge. diz: mas torno as coisas maiores - sim - do que elas são. sempre me falaram isso. eu leio entrelinhas que não existem. eu aprofundo demais uma coisa superficial. mas isso eu chamo de intensidade. de valor. de sentido. e não de complexidade.
Jorge. diz: e gosto. não gosto de pessoas vazias. pessoas desinteressantes. sem conteúdo. superficiais demais.
Jorge. diz: odeio.
Jorge. diz: eu gosto é de me afundar. pessoas que me molhem. me levem pra um mundo novo. conteúdo, idéias, imaginação, pensamentos, brigas, gostos, abraços, músicas novas, e novos paladares de relação. disso que eu gosto!
Jorge. diz: se eu pudesse viveria de viagens.
Jorge. diz: conhecer o mundo inteiro. todas as línguas, dialetos, culturas, imagens, cenários, festas, locais, dores, sentidos, perguntas, e tudo mais desse mundo.
Jorge. diz: mas não posso, então me permito usar ao máximo o que me cerca.
Jorge. diz: seja pensar no ônibus lotado. seja rodar a noite inteira sem rumo. seja sentar numa calçada qualquer e reparar as pessoas, seja um bom papo sem compromisso em um bar qualquer de sempre.

Jorge. diz: sabe?

Um comentário:

Elaine Pacheco disse...

És filme mesmo. Jorge..prazer em conhecê-lo, se definiu muito bem, em frases curtas e simples*.